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Correio Braziliense - DF Correio Braziliense - DF
07/05/2010 - 11:29

Poesia quase prosa
Em seu novo livro, n.d.a, Arnaldo Antunes inova com textos poéticos de fôlego sem receio de cair em longas narrativas

Nahima Maciel

Luciano Piva/TV Cultura
Arnaldo Antunes: “A minha poesia, de certa forma, anseia outros lugares”
No fim de um poema em prosa, Arnaldo Antunes avisa: “E quando o texto acaba a escrita continua.” Não sabe explicar muito bem como, mas sente que é assim. O poema não tem título e ilustra um pouco a postura de Arnaldo diante da prática da poesia: muitas vezes, a palavra não é tudo e sim parte de uma estrutura poética. Assim funciona n.d.a., recém-lançado pela Iluminuras.

Em n.d.a., as palavras podem ser coisas e há os tradicionais poemas-objeto que também povoam outros livros de Arnaldo, além de uma combinação inevitável de símbolos gráficos e escrita, mas é na poesia quase prosa, de quatro, às vezes cinco páginas, que está a novidade. O autor garante que não anda pensando em enveredar pela ficção propriamente, mas não exclui a forma narrativa desses longos poemas, como os escritores da geração beat abusavam. “Acho que é um desafio de tentar um formato novo”, explica.

N.d.a é a combinação de dois livros. O primeiro traz a produção mais recente e um conjunto de cartões-postais, imagens de placas espalhadas por todo o país e captadas por Antunes nos últimos 10 anos. “Penso em, no futuro, fazer um livro com isso, na verdade produzir um enredo como se fosse uma história em quadrinhos, mas é um projeto de fazer algo colorido, isso é como se fosse uma prévia do projeto maior. São placas que, tiradas do contexto original, têm uma coisa poética da relação do texto com o contexto no qual está envolvido. Tentei criar associações entre as placas. Na sequência acabou tendo quase que um enredo analógico subentendido.”

A segunda parte é praticamente um livro inteiro. Nada de DNA tem poemas inéditos de 2006, desenhos e imagens, coisas que Antunes burilou pelos últimos anos e somente agora considerou prontas. Coisas do “baú de guardados”, como ele diz.

Nos versos, o poeta de 49 anos continua a desfilar as heranças da poesia concreta que marcam muito de sua produção, uma sintaxe na qual referências urbanas, síntese, ritmo e economia estão muito presentes. Abaixo, o poeta-compositor fala sobre o trânsito entre música e poesia, projetos e n.d.a.

 
 
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