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Diario de Pernambuco - PE Diario de Pernambuco - PE
03/05/2010 - 11:39

Não se pode viver sem amor
Nasce um obra-prima do nonsense

Thiago Corrêa

Ângelo Antônio e equipe provocaram risos nervosos na plateia do festival
Já virou clichê os realizadores exaltarem em seus discursos a grandiosidade numérica do público do Cine PE e o hábito de bom anfitrião dos pernambucanos. Pois nem mesmo essa plateia que aplaude com devoção qualquer besteirinha foi capaz de engolir os equívocos de Não se pode viver sem amor, do diretor chileno radicado no Brasil, Jorge Durán. Na sessão de sexta-feira, os deslizes do roteiro foram tão além que geraram um descompasso na comunicação com o público, provocando risos em cenas que deveriam funcionar como o ápice de tensão do filme.

Não se pode viver sem amor é construído através de três núcleos dramáticos. De um lado temos uma mãe (Simone Spoladore) que vai até a capital carioca na tentativa de apresentar o filho ao pai, um professor universitário (Ângelo Antônio) que encara a decisão de se mudar para a Suíça. Além de um jovem advogado (Cauã Reymond) enfrentando a falta de dinheiro. Os três caminhos se revelam cheios de decepções, com provações éticas e amorosas.

Embora não sejam lá convincentes, até esse ponto a trama segue em banho-maria, num ritmo de novela das sete. O problema mesmo começa quando as narrativas se cruzam. A história se desenrola num pique de incoerências de filmes B, com sequência de danças felizes sob a chuva, assaltos e acontecimentos sobrenaturais com direito à ressurreição.

O fato é que os personagens principais acabam reunidos numa casa, sob a ameaça de um revólver, enquanto um morto é velado e relacionamentos amorosos são discutidos. O filme chega a lembrar a segunda parte de Um Drink no Inferno, quando a trama, mesmo que não pareça ser a intenção, cai num viés nonsense, provocando risos pelo grotesco e pela ausência de lógica.

Curtas - A sessão de curtas da sexta foi marcada pela oscilação. O paraibano O plano do cachorro e o paraense Quando a chuva chegar apostaram no esvaziamento de sentido, os documentários Se meu pai fosse de pedra e Zé[s] se destacaram pela contundência do discurso, trilhando o sentimentalismo e o viés político. Mas o que mais mexeu com a plateia foi ogaúcho Amigos bizarros do Ricardinho, com seu humor publicitário e visual kitsch.

 
 
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