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Folha de Pernambuco - PE Folha de Pernambuco - PE
09/07/2010 - 10:26

Teatro Oficina encena a polêmica “Bacantes”
Este é o 3º dia do “Dionisíacas em viagem”, projeto da Cia. paulista

Hugo Viana

O terceiro dia do “Dionisíacas em viagem”, projeto assinado pela companhia Teatro Oficina, traz uma das peças mais conhecidas - e polêmicas - do grupo paulista. É a vez de encenar “Bacantes”, terceira parte da proposta do diretor Zé Celso em referenciar o teatro grego e o teatro das multidões. A peça será montada hoje às 19h, no Teatro de Extádio, espaço erguido na Refinaria Multicultural Nascedouro de Peixinhos e com capacidade para cerca de duas mil pessoas. O ingresso é gratuito e a bilheteria abre duas horas antes do início da peça (a produção sugere doação de 1kg de alimento não perecível ou de brinquedo, e avisa que há censura de 16 anos).

O aspecto polêmico da narrativa de “Bacantes” reflete uma característica da Teatro Oficina, que em sua busca por liberdade cênica descarta o pudor. Em 2005, quando encenaram a narrativa “Sertões” pela Europa, o grupo liderado por Zé Celso ouviu da imprensa alemã e inglesa que eles faziam um tipo de “teatro pornô”. “Tem muita publicação porca na Alemanha e na Inglaterra”, diz o diretor, sobre os veículos de comunicação desses países. “Mas isso acabou sendo ótimo para nós: eles divulgavam nossa peça com fotos com os atores com tarja preta cobrindo a nudez. Na verdade, acho esse tipo de reação vital. Não gosto da ideia do espectador ir até a peça para ‘dar uma olhadinha’. O teatro precisa de imersão”, reflete o diretor.

O espetáculo mostra a chegada de Dionysios (interpretado pelo ator pernambucano Marcelo Drummond), filho de Zeus (Hector Othon) com a mortal Semelle (Anna Guilhermina), em sua cidade natal, TebaSP (escrita desse jeito mesmo), que não o reconhece como um deus. É mais um exemplo de narrativa que mantém estilo carnavalesco e orgiástico que de certa forma marca a estética da companhia paulista. A longa duração (seis horas, com dois intervalos programados) parece ser opção que reforça a ausência de austeridade e abertura para improvisação, dependendo da forma como o público irá se relacionar com a obra.

Outra característica da Teatro Oficina que pontua “Bacantes” é o interesse da companhia em alinhar a vontade de juntar um tipo de teatro acessível e que junte multidão (“A gente espera que um dia o teatro tenha a mesma força do futebol”, comentou Zé Celso) com uma estética que remeta à Grécia Antiga. Ideia que não se restringe aos atores, que interpretam deuses da mitologia grega, mas também ao próprio público, que normalmente já possui forte presença no desenvolvimento das narrativas da Teatro Oficina. Dessa vez, os espectadores vão se juntar num papel ainda mais especial no projeto “Dionisíacas em viagem”. “Os espectadores vão participar nesta peça mais ou menos como o coro grego”, explica Zé Celso.

Serviço

Teatro Oficina: “Bacantes”;

Refinaria Multicultural Nascedouro de Peixinhos.

 
 
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