Desconstruir a nossa imagem sobre a humanidade que pertencemos é o ponto inicial para se entender a deficiência. Com esse pensamento, a jornalista, escritora e fundadora superintendente da ONG Escola de Gente, Cláudia Werneck, ancorou a oficina “Inclusão de Pessoas com Deficiência” que aconteceu durante o Seminário Responsabilidade Social Empresarial e Direitos Humanos: Desafios e Oportunidades realizado pelo Instituto Ethos, na última segunda-feira (7/11), no Recife. Uma das salas do Auditório do Banco do Brasil do Bairro do Recife recebeu gestores dos três setores da sociedade para um bate-papo inclusivo e compartilhado sobre como encarar o desafio de incluir, de forma sustentável e sem discriminação, pessoas com especificidades físicas e mentais nas empresas.

Durante aproximadamente uma hora e meia questões como preconceito, acessibilidade e bullying foram apresentadas ao grupo por Cláudia Werneck dentro de um enredo simples e reflexivo sobre a necessidade de se quebrar paradigmas de convivência que nos foram apresentados desde a infância pelo atual modelo de sociedade em que vivemos. “Não conseguimos ver a espécie Homo Sapiens como ela realmente é. Por isso, construímos prédios, comunicação, eventos, histórias, formamos médicos tudo em função de uma humanidade que nunca existiu, ou existirá. Essa humanidade só vive o nosso delírio”, disse Werneck. Dentro desta perspectiva de irrealidade, a facilitadora norteou a oficina e objetivou afirmando que inclusão é trabalhar com seres reais, portanto, fora da ideia de humanidade desta sociedade. “Inclusão é não utopia”, destacou ela.

Para o representante do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Geraldo Times, a oficina contribuiu para que os participantes percebessem que o tratamento das pessoas com especificidades físicas e mentais no ambiente de trabalho é uma revolução conceitual. “Precisamos evoluir os conceitos sobre a questão da acessibilidade e inclusão como um todo. O respeito a estas pessoas não deve ser apenas no momento da acessibilidade na arquitetura e engenharia, mas sim nas questões dos valores da vida e de humanidade”, disse ele.

Já a colaboradora da JBR Engenharia, Zolane Lopes, ressaltou a importância do olhar dos Direitos Humanos no ambiente empresarial. “Tendo a percepção dos Direitos Humanos, as perspectivas no âmbito empresarial aumentam muito. É não contratar só pelas cotas, é não só construir uma sala acessível como se estivesse tudo bem. A ideia é fazer pelas pessoas e não achar que devemos trazer aquela pessoa para o meu mundo, elas existem e este mundo não é meu. É o nosso mundo”, afirmou ela.

Confira as imagens da oficina